segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Comida reconfortante


Vamos combinar que comer uma comida bem preparada em restaurantes bem conceituados e que respeitam os alimentos, que têm a presença de gente que sabe se comportar, uma sequência de músicas que não interferem na conversa, é uma excelente opção, não resta a menor dúvida. Mas...

Convenhamos, para aqueles que tiveram esta possibilidade, comer uma comidinha de vó, de mãe... lá isso é outra coisa.

Sentar-se à mesa e comer uma comida que foi preparada respeitando-se tudo, sem invencionices, no tempo do alimento faz uma grande diferença no sabor.

Cozinhar uma galinha pega no quintal é bem diferente das orgânicas do dia a dia. Aquelas você as conhecia, acompanhou o crescimento e a alimentação delas. Também, colher temperos numa hortinha cultivada com carinho, coberta de palhas de palmeira para abrandar esse sol, é tudo de bom.

Falando nisso acabo voltando no tempo e lembrando do vô Chico. Ele morava numa casa simples, diria até que apenas essencial, num grande terreno onde podia ter coisas hoje impensáveis numa cidade grande. Para começar, uma boa horta que era regada com água de poço artesiano. A água era retirada com uma lata das que antigamente eram usadas para o transporte de manteiga (algo como 18kg). Meu vô colocara uma ferradura num dos lados para que seu peso pudesse fazer que a lata deitasse sobre a água e assim, pudesse, ser enchida de água. Ainda, um cabo de vassoura, preso atravessado servia não só para que pudéssemos amarrar a corda para puxar a lata com a água mas também, depois, carregar a lata até onde estava o regador. Dali, depois deenchido dávamos um banho nas folhas e nos pés das couves e algumas outras pequenas delícias que só hoje dou valor. Além, é claro, de molhar o pé de figos.

Hoje, o frango vem do supermercado. E, por mais que sejam “orgânicos” sempre serão diferentes daqueles que corríamos atrás para pegá-los para vó Georgina cozinhar para todos nós. Naquela época (e ainda assim em muitas casas), de comida dada eles comiam apenas milho. O resto eles mesmos procuravam de acordo com suas necessidades: ora uma minhoquinha, ora um pedrisco, um pouco de capim e lá iam eles engordando e pondo os ovos nossos de cada dia. Gema de um amarelo forte e clara bem encorpada, feitos ora na manteiga ora na banha de porco que hoje dizem não ser saudável mas o que nos dão de opção? Gorduras hidrogenadas, interesterificadas, saborizadas e coloridas artificialmente... Sei lá... ainda prefiro as de origem animal.

Mas e a sobrecoxa do frango: carne escura, com sabor profundo se feita lentamente em fogo bem baixo. A minha foi ao forno depois de retirado o osso, e recheada de ervinhas da varanda (minha hortinha está na minha pequena varanda: vasos com alguns dos temperos que mais gosto: tomilho, alecrim e uma folhinha de louro trazida da casa de minha mãe (colhido, desfolhado e guardado ainda em suas folhas verdes)). Sal grosso e pimenta do Reino moídos juntos na hora). Depois de pronto, acendido o grill para o crocante final. Mas se você não tiver forno com grill, nem forninho (daqueles com resistência superior, ainda pode usar um maçarico culinário como esse aqui.

As batatas foram pré cozidas no vapor depois de descascadas. Novamente sal grosso e pimenta do Reino moídos na hora e um pouco de folhinhas de alecrim grosseiramente picadas na hora de levar ao forno no mesmo tempo da sobrecoxa. Há quem as prefira, depois de pré cozidas, fritas por imersão até o dourado.

Simples para um dia de verão escaldante como estes daqui do Rio de Janeiro. O suficiente para alimentar. E, para refrescar, uma bola de sorvete de frutas (goiaba, manga, morango...) ou, um copo de água de coco para ajudar na manutenção dos níveis de potássio.



bacalhaucombatata | Franguinho pururuca com batatinhas ao forno.

Franguinho pururuca e
batatinhas assadas ao forno
com perfumes do meu jardim.




F A C I L I D A D E S

+ Acompanhe este blog pelo twitter.

+ Receba aviso sobre novos textos em seu email. Cadastre-se!

+ Antes de imprimir este texto, pense na sua responsabilidade com o meio ambiente: click aqui!




Publicidade


4 comentários:

Shirley disse...

Tu me fez lembrar agora a caçamba de lata de tinta presa num cabo de vassoura que tinha lá em casa e a gente usava pra pegar água da cisterna. Sábado estive num belo restaurando em niterói. Quando quiser vir em minha terra, vamos lá comer. Olimpo é o nome. Fica em charitas. Por coincidência, comi batatas com alecrim... bjs

Adriana Melo disse...

Hum... adorei! Li em algum lugar no seu blog sobre Seriguela, que estava na época etc., então lembrei e pedi um suco de seriguela no restaurante.. fiquei viciada, que delícia!!! agora peço todos os dias.... culpa sua rsrsrs
bjs.
adri

carlinhos de lima disse...

Shi: ok. Quem sabe?

Dri: pois é menina! Nossa terra tem frutas maravilhosas e a gente fica na mesmice de todos os anos.

Minha idéia é essa mesmo: mostrar novos sabores, falar deles...

Usuale disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blog.