domingo, 6 de março de 2011

Carnaval de São Pedro

Na sexta feira à noite a gente passou na Padaria Trigon, em Jacarepaguá onde morei por muitos anos. Uma pilha de discos de pizzas pré-assados foi embrulhado. Presunto e queijo mussarela, também. Tudo acomodado no carro, era hora de seguir pra São Pedro da Aldeia, uma cidade acolhedora na região dos lagos, aqui no Rio de Janeiro.

Passada a Ponte Rio Niterói enfrentamos uma estrada que tinha um bom movimento de carros àquela hora (21h00) alternando momentos de velocidade menor com outros de velocidade plena. Muita atenção já naquela época. Velocidade máxima respeitada por uns e nem tanto por outros.

Do meu lado, minha mulher. Havia pouco mais de um ano que havíamos casado. Ainda na “lua de mel”...

Chegando lá, encontramos os demais participantes do bloco do carnaval: Antônio e Teresa com dona Haydée e José. Mais o Mauro e Vilma e seu inseparável violão.

Na farra da chegada, retirar as tralhas dos carros e cada um arrumar seu cantinho previamente separados, arrumados e cheirosos que Oberlan e Elisa haviam providenciado para cada casal. Anfitriões de primeira qualidade, tia de Antônio e dos outros por afinidade.

Tudo arrumado, era hora de irmos para o “portinho” comprar os camarões que iriam nadar nas nossas cervejas pela noite embalada pelas músicas que saíam do pinho do Mauro. Um lugar onde os pescadores locais ancoravam suas canoas cheias de camarões que ainda pulavam no chão delas. Transferiam para enormes caixas e ali mesmo, na beira da praia começava a venda. A medida usada era uma lata da falecida Gordura de Coco Carioca que deixou saudade naqueles que a usavam para fazer suas comidinhas principalmente um arroz branquinho e soltinho. Macetes na hora de enchê-las com os camarões. Não eram simplesmente colocados ali dentro. Havia a engenhosidade do movimento das mãos que deixava criar uma bolsa de ar e assim, reduzir a quantidade de camarões. Mas sempre dava para “chorar” um pouco mais daqueles camarões que não mais comi igual.

Em casa, um banho de água da torneira bastava para em seguida colocá-los numa enorme frigideira com óleo (soja se minha memória não me engana). Mudada a cor estavam prontos: para uma enorme travessa eles se mudavam e aquilo virava banquete, inicialmente para os famintos viajantes. Depois, mais comportados, serviam de acompanhamento das cervejas bebidas durante a cantoria. Isso varava a madrugada...

Na manhã de sábado, ainda uns mais com sono que os outros, pelas poucas horas dormidas, já descíamos dos quartos de sunga e biquines. Café da manhã farto, dentes escovados era hora da praia. Uma quadra e já estávamos na areia de uma praia mansa e não tão cheia de gente. Basicamente os moradores daquele canto e seus convidados, penetras ou os que alugavam as casas para temporada.

Ali na areia, deliciando-se com o sol e a água ficávamos de papo até que a secretária chegava com alguma “besteirinha” para comer. Afinal os anfitriões eram de primeiríssima qualidade conforme falei ali em cima.

Eu, Antônio e Mauro nos juntávamos ao “tio” Oberlan para pegar o barco que ele batizou de LAN LAN para passear por aquelas águas mansas. Primeiramente o tio foi nos mostrar todos os bons lugares para o passeio e depois ficava à nossa disposição pois somente ele tinha habilitação para conduzir a embarcação. A Marinha do Brasil naquela época fazia uma fiscalização intensa. Hoje não sei. Faz muito tempo que não vou para lá.

Era assim a manhã toda até que a secretária/ajudante/faz tudo tocava um sino que havia na varanda da casa. Era a hora do almoço. Levantar acampamento pois os donos da casa faziam questão de manter a rotina com seus horários. Juntávamos esteiras e mais o que levássemos, além das vasilhas dos comes (vazios agora) e rumo ao chuveiro externo para retirar o sal do corpo. Uma camiseta e um calção ou bermuda para as meninas e já estávamos todos numa enorme mesa deliciando, invariavelmente, uma tainha fresquíssima que os tios compravam de um pescador. A mais preferida era a que era servida em finas postas e empanadas com fubá de milho. Sequinhas, branquinhas por dentro e amarelinhas por fora. Um sabor que até agora consigo sentir. O que acompranhava? Não me importava. Já naqueles tempos era fã do peixe. Desde muito pequeno fui acostumado a eles. Pena que hoje em dia muitos já são artificiais, criados em cativeiro, sem o sabor intenso e delicioso dos naturais.

Depois do almoço, era hora da sesta nas redes instaladas na varandinha da parte superior ou nas espreguiçadeiras que existiam na parte de baixo. O silêncio reinava e cedia lugar ao assovio do vento entre as casuarinas que existiam pelas cercanias. Sono bom de barriguinha cheia. Até que o primeiro acordasse e colocasse o resto de volta à praia para o “banho da tarde”.

De noite a janta novamente com peixe. Variando ou não a preparação, ainda não me aventurava nos fogões. Só comia...

Nas noites e madrugadas, a rotina de ir buscar camarão fresco para brincar junto com as músicas e esquecer as picadas dos mosquitos que chegavam em blocos animados com sua musiquinha inesquecível.

E tudo se repetia mesmo nas noites em que acompanhavámos os desfiles das escolas de samba do Rio. Vida boa. Vida saudável.

Pra tudo isso se acabar na quarta feira!

F A C I L I D A D E S
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4 comentários:

P. Herdy disse...

Esse ano a chuvinha esfriou um pouco esse clima, mas minha cidade é mesmo boa para relaxar e dizer "ô vida dura'

carlinhos de lima disse...

Pois é... Pareceme mesmo que a chuva chegou pra tirar o "barato" das praias.

Maria disse...

Moraste onde atualmente é a Padaria Trigon, apenas 5 anos.
Também sinto saudades do tempo que frequentavamos a casa do"tio" Oberlan em S. Pedro.

Anônimo disse...

Gostaria de ter participado, pois adoro peixe e, como voce, se pudesse so comeria peixe.
Hoje em dia não dá vontade de sair de casa, pois as estradas e os locais estão intransitáveis.
Mas voce nos faz recordar tempos memoráveis.
Obrigada, Irani