sexta-feira, 14 de março de 2008

Espigas no berço


O milho continua a ser uma das bases da alimentação dos brasileiros.

A partir do século XVIII, o milho começa a tomar lugar decisivo na alimentação brasileira sob a forma de fubá, que é o pó obtido pela moagem fina do milho cru, seco e debulhado.

O homem planta o milho, cria o porco que engorda comendo o sabugo e fornece a gordura para o homem cozinhar pratos feitos de milho e de porco.

Puro ou como ingrediente de outros produtos, o milho é uma importante fonte de energia para o homem. Ao contrário do trigo e do arroz, que são refinados durante seus processos de industrialização, conserva sua casca que é rica em fibras, fundamental para a eliminação das toxinas do organismo humano. Além das fibras, tem carboidratos, proteínas, vitaminas (complexo B), sais minerais (ferro, fósforo, potássio, cálcio), óleo e grandes quantidades de açúcares, gorduras, celulose e calorias.

Segundo a Embrapa, apenas 5% de todo o milho produzido no Brasil é consumido diretamente pelo homem. A grande parte (65%) é utilizada na alimentação de animais.

A utilização do milho na alimentação humana é, sem dúvida, muito abrangente. Para se ter uma idéia, o cereal é ingrediente na fabricação de balas, biscoitos, pães, chocolates, geléias, cerveja etc.


Pois é... Resolvi fazer esta introdução como forma de dar uma visão maior sobre o milho. E, por conseguinte, do fubá.

Tudo isso pra contar a gestação dos gêmeos de fubá que alguém tanto queria saber...

A fecundação acontece na noite do dia anterior. Para tanto, misturo uma xícara de farinha de trigo Renata com uma colherinha de chá de fermento seco. Depois vou adicionando partes de meia xícara de água gelada até que se forme uma massa macia e "lisa". Atingido este ponto, coloco em um saco plástico (próprio para alimentos) e vai para o refrigerador onde passa a noite toda.

Essa imersão no frio por pelo menos doze horas faz com que o processo de fermentação se produza de forma mais lenta produzindo, ao final, um resultado compensador.

Na manhã seguinte preparo uma "esponja" que consiste em misturar novamente a mesma porção usada na fecundação porém com mais água. É preciso que a mistura tenha um resultado pastoso.

Coberta com um filme de pvc a vasilha deve ficar num lugar escuro e de temperatura amena. É preciso chegar ao ponto em que se vêem bolhas da fermentação ativa.

Isto leva entre duas e três horas.

Neste momento é a hora de completar a massa. Novamente, usando "medidas caseiras", coloca-se numa vasilha meia xícara de fubá de milho, uma xícara de farinha de trigo Renata, uma colher de sobremesa rasa de açúcar mascavo, uma colher de sobremesa rasa de sal, uma colher de sobremesa de margarina (80% de lipídios) e meia colher de sobremesa de sementes de erva-doce.

Coloca-se a parte preparada na noite anterior (biga) e, a seguir, a "esponja". É preciso adicionar um pouco de água gelada (algo em torno de meia xícara). Coloque inicialmente a metade desta porção. Depois complete de acordo com a necessidade pois cada farinha é uma história.

A massa precisa ser trabalhada por aproximadamente 15 minutos até que fique lisa igual à bundinha de neném. Se você nunca passoua mão numa bundinha de neném, pode imaginar um pêssego, um tecido de algodão egípcio...

Feito isto, divida em duas porções e coloque a massa para descansar, coberta ou por um pano de pratos limpo ou uma folha de plástico (limpo, também). É preciso proteger para não formar uma casquinha na massa.

Agora, unte levemente duas formas de "bolo inglês". Reserve.

Com a ajuda de um rolo de abrir massa abra cada uma das partes da massa descansada (20 minutos) e abra formando um retângulo. Enrole e coloque nas formas.

Com a ajuda de um pincel faça uma pintura na superfície superior com o melhor azeite que o seu dinheiro puder comprar.

Pegue uma peneira e polvilhe fubá de milho. É possível fazer desenhos, neste momento, com uma faquinha bem afiada.

Coloque as formas em sacos plásticos fechados e leve ao refrigerador por aproximadamente oito horas. Ou, até que a massa tenha atingido a parte superior da forma.

Neste ponto, retire do refrigerador e acenda o forno (apesar de cada um ser uma história diferente, no meu "marco" 235ºC. É preciso que ele aqueça por pelo menos trinta minutos.

Ai leve ao forno as formas por aproximadamente 20 minutos ou até que esteja dourado.

Retire e coloque no "berço" (uma grelha) para esfriar por pelo menos três horas antes de cortá-los.

Aproveite!

[clique sobre a imagem para ampliar]


8 comentários:

Luiz Antonio disse...

"Poeta" tão logo eu possa vou fazer esse pão MARAVILHOSO!!!!!!!
obrigado

Roseane disse...

Hummm parece bom. Meus bolos de milho nunca ficam bons. Bom findi!!!

Tania disse...

Que lindo, vou querer um desses quando for aí. Vc está ficando bom nisso, hi hi hi
Mana

Anônimo disse...

Carlinhos,

senti o cheiro daqui!

Com um reconfortante café coado no coador de pano e ouvindo a chuva cair...era tudo que eu queria agora!

Vir aqui é como abrir a janela de uma cozinha no interior do Brasil!

Bisous ;-)

Ana de Bruxelas

Leila disse...

Carlinhos, isso é uma obra de arte. mas da trabalho nao?
beijinhos

Li disse...

Carlinhossssssssss!!!!!!!!!
Padeiro ou artista plástico???????
Beijas!
Li

Fer Ayer disse...

Oi...saudades de você também...me escreve e te conto o porque do sumiço...
Beijos

Leila disse...

Carlinhos, obrigado pelo carinho.
pensei que os exercicios fossem para a Paty? heheh
tentei responder por email mas nao sei qual é o teu email.
beijinhos