domingo, 10 de fevereiro de 2008

Mas essa, ainda não é a minha tortinha...


Uma massa tem lá suas sutilezas. A mistura de seus ingredientes é como a moldagem de uma coisa importante na vida de quem ama cozinha.

Misturar açúcar, manteiga, ovos e farinha tem lá seus caprichos.

A qualidade de cada um deles. A dosagem certa. O ponto exato do "crock". A cor amorenada/dourada da casca. A temperatura do forno.

Ah, o forno caseiro! Quantas surpresas. Quantas derrotas! Ainda mais para quem anda a corda bamba entre equipamentos profissionais e caseiros. Tem horas que confunde um pouco a nossa cabeça. A cabeça de quem desenvolve. Não de quem apenas executa uma ou outra.

O calor das bocas também altera profundamente o resultado.

E, lá estou eu a busca da minha tortinha. Não uma simples tortinha enformada. Mas uma tortinha solta, com vida própria. Emancipada.

Já faz um tempo ando de lanternas à mão. Dedos nos teclados. Está difícil encontrar o "ponto" exato. A massa quase perfeita!

E eu ainda prometi para a anônima-predileta deste blog. Pois ela, que se esconde atrás do anonimato tem personalidade forte, cor, textura e perfumes equilibrados. Mas vai continuar anônima nos seus comentários.

Ela provoca, instiga até que eu consiga chegar o mais perto possível dos objetivos. Depois, me faz abandonar aquele e perseguir outros.

Sem querer, ou querendo está construindo minha história. E aqui, hoje, minhas reverências a ela. Continue assim. E obrigado pelos objetivos já alcançados.

Mas, prosa à parte, vamos adiante. É preciso retirar as 160g de manteiga da geladeira com uma hora de antecedência. E olha que não é para embarque num aeroporto nacional. É para ela fique igual a uma pomada. Cremosa, mas montada.

Descasque 500g de maçãs Fuji (são aproximadamente 4 maçãs não muito grandes. Se passar um pouco, não faz mal. É possível que você a coma antes da hora.

Corte elas em cubinhos, dadinhos, brunoise, seja lá como você os chama. Coloque numa vasilha com o sumo de um limão tahiti e 150g de açúcar. Ah, você tem problemas com açúcar? Então reduza esta quantidade de doce... Tampe com um filme de pvc e leve ao refrigerador para marinar por duas horas. Inteirinhas. Sem trapaças.

Prepare uma caldinha com 500g de açúcar e 200ml de água. Meio grossinha. Quer dar um perfume diferente? Pegue um talinho de capim santo, dois ou três dedos, devidamente socado (para liberar os óleos essenciais e coloque-o na calda.

Deixe ali, em fogo baixinho. Calmamente dourando e engrossando.

Agora, a manteiga. Já passou a hora pedida? OK. Vamos em frente! Ela vai precisar ser misturada, com uma colher de pau (importante isso) às 75 gramas de açúcar e a uma pitada de dois dedos de sal.

Peneire a farinha aos poucos (250g, talvez um pouco menos ou um pouco mais). Misture devagar, sentindo ela amalgamar-se. É preciso chegar a uma consistência lisa e macia. Coloque num saco plástico e leve ao refrigerador por trinta minutos.

Bem, o reloginho tocou: os trinta minutos de descanso da massa já acabaram.

Polvilhe trigo numa superfície para trabalhar. Pese porções de 50g de massa para cada uma delas (tortinhas). Isso mesmo, é preciso padronização pois ela é livre... não estará delimitada por forminhas...

Feito isso, coloque os dadinhos de maçã numa peneira para escorrer o líquido da maceração.

Abra cada porção da massa. Não precisa ser em círculo perfeito, nem precisa serem todas da mesma espessura.

Coloque no centro de cada disco aproximadamente duas colheres de sobremesa de maçãs. Levante as laterais e formate as tortinhas.

É preciso muita calma nessa hora. Ela pode quebrar. Mas ajeite. Pressione levemente. Continue! Não desista. O resultado final compensará.

Olhe simultaneamente a caldinha senão ela passa do ponto.

Coloque-as num tabuleiro e leve ao forno pré-aquecido a 180ºC até que comecem a dourar nas pontinhas.

A corzinha final dependerá de você: sua angústia, sua paciência, seus desejos, sua dedicação. Escolha a tonalidade do seu dourado.


Então? Topas?

Mas lembre-se: esta ainda não é a minha tortinha...

Ah, eu coloquei uma porção de geléia de acerolas orgânicas colhidas no quintal da casa da dona Diva na véspera, à noitinha.




6 comentários:

Anônimo disse...

lindo texto...
continue sua busca!
e, mantenha-me informada!

Anônimo disse...

Carlinhosss!!!!!!!
Trabalhou bastante, hein????
Fora o susto que vc me deu!!!!!!!
Antes de ler " a geléia de acerola", tive um choque ao enxergar molho de tomate na fotinho......
Beijas!!!!!
Li

Maria disse...

Qto de farinah????
E a calda vai onde ou aonde????
Bjocas

carlinhos de lima disse...

Maria, eu poderia apenas responder 150g, como tantos fazem.

No entanto te levaria a um resultado não tão adequado. Farinhas são farianhas e, dependendo da preparação, como é o caso desta, pode levar mais ou menos... Também a qualidade da manteiga, o teor de água etc. Mas neste caso, a farinha é quem finaliza a preparação. Logo, a inexatidão...

Depende da farinha, da "idade" dela, do teor de umidade.... Use o peso apenas como uma referência.

Agdah disse...

...geléia de acerolas orgânicas...

Deve ser uma delícia. Nunca tinha ouvido falar, mas adorei a idéia.

Já voltei. Obrigada por passar lá no Agdá durante a ausência. Estava de mudança.

carlinhos de lima disse...

Primeiro uma correção: saiu 150g de farinha quando o certo seriam 250g.

Aproveitei e corrigi esta informação no "post".

Agdah obrigado pela visita. A casa é sua!

Quanto às acerolas eu assim as consifdero pois são de um pé na casa de minha mãe. Cultivadas ao sabor da natureza sem nada a não ser água-de-Deus e sol-de-Deus nelas. Agora mesmo cheguei de lá um uma boa quantidade que vai virar uma geléia maravilhosa.

Volte sempre por aqui.