sexta-feira, 9 de novembro de 2007

Risotinho de pirarucu

Antes que ele acabe, me delicio com ele!

Ganhei um pequeno pedaço do peixe seco trazido por Maria de Nazareth, a padroeira dos paraenses... E pensar que antigamente tinha a Casa Andrada, lá no Largo de São Francisco (do Rio!) onde aquele ser maravilhoso que foi meu pai sempre ia lá comprar coisas do Pará para alimentar nossas alegrias. Em casa, sempre uma festa...

Até hoje guarda na memória o tio Dário que chegou de viagem (naquele tempo era Panair e não tinha crise aérea, nem Ministro da Defesa, nem Anac e o Galeão ainda era ali pertinho...) com um embrulho de jornal com mais de dois quilos de camarão fresquíssimo (foi só o tempo da viagem). Trouxe do Ver-o-Peso... Direto pra panela do jeito que aquela risonha boca encimada por um farto bigode dizia que era camarão shiiiiii (hoje sei que era uma alusão do barulho que fazia na panela).

E as casquinhas de carangueijo catados pela Maria? As unhas de carangueijo à milanesa que ela fazia? Doce Maria que até hoje orgulha-se da marquinha que meus tenros dentinhos de leite deixou em sua mão. Tenho saudades dela.

Bem, mas o pirarucu ficou ali na minha electrolux esperando a hora exata de ir para o banho frio para tirar o sal do corpo.

Segue-se o mesmo processo de dessalga de qualquer peixe: troca-se a água até que isto ocorra. Dois dias e meio foi o suficiente.

Cortei as postas, retirei a grossa e gorda pele e levei a uma frigideira com antiaderente para selar e cozer a carne. Depois, numa peneira (finalmente consegui comprar uma do jeito que queria) deixei escorrendo a gordura que teimava estar ali.

Enquanto isso, piquei finamente uma cebola média. Reservei. Um dente de alho, sem o broto também teve o mesmo final...

Um cadinho de legumes foi aquecido.

Na panela, azeite que bastasse para refogar a cebola até ela ficar transparente. Adicionei o alho e, rapidamente, logo que ele deu sinal de vida, o arroz (uma xícara) de arbório. Infelizmente não achei o Vialone Nano tão aconselhado para peixes e frutos do mar...

Refoguei bem, até que chegasse a hora de colocar uma xícara de Fortaleza do Seival (ando muito brasileiro nestes últimos tempos) para que o amido pudesse resplandecer.

Logo que começou a secar fui adicionando as conchas do caldinho já aquecido. Mexendo com cuidado para não quebrar os grãos do arroz.

Quando quase no ponto, adicionei o pirarucu devidamente desfiado grosseiramente. Um pouco mais de caldo para poder os sabores se fixarem e terminar o cozimento.

Sal verificado.

Pronto, deligado o fogo, levei a panela para a mesa de trabalho. Ali coloquei cinquenta gramas de manteiga sem sal, gelada, para mantecalo. Calmamente, os movimentos de ir e vir foram incorporando a manteiga ao risoto.

Assim, só isso. Nada mais!

Colocar no prato para foto e outro para comer. E, claro, terminar o Fortaleza de Seival...

Só posso lamentar por aqueles que não estiveram à mesa!

Com vocês...

5 comentários:

Anônimo disse...

apetitoso...
assim q meu figado melhorar, vou experimentar!

Marcel Miwa & Nina Moori disse...

Que história saborosa de se ler....rsrs
Só comi pirarucu duas vezes na vida.

bjo,
Nina.

carlinhos disse...

Pois olha, procura por ai porque ele já começa a rarear e em breve só "memórias gustativas"...

beijo

Mariângela disse...

eu nunca provei pirarucu,nem imagino que gosto tenha..

carlinhos disse...

É um gosto diferente. Em nada com o bacalhau, como dizem.
É o maior peixe de rio e um sabor indescritível.